" /> É DA AMAZÔNIA A MAIS BELA PRAIA DO BRASIL - Revista Cittá São Paulo

É DA AMAZÔNIA A MAIS BELA PRAIA DO BRASIL

3 / fev / 2010 | By rose | Categoria: Turismo

 

ORLADESANTARÉM

 Se a chegada a Santarém é por barco, o meio de transporte tipicamente
amazônico, o visitante já antes do desembarque se depara com um dos
espetáculos da natureza que tornam a cidade tão especial. Bem diante da área urbana de Santarém se dá o Encontro das Águas do maior rio do mundo, o Amazonas, com as da foz do Tapajós, um de seus maiores afluentes. A cidade fica na confluência dos dois gigantes. É uma paisagem exuberante, especialmente no pôr do sol.

  Diferenças de densidade, velocidade e temperatura fazem com que os dois rios sigam juntos por quilômetros, sem que as águas verde-azuladas e límpidas do Tapajós se misturem com as de tonalidade barrenta do Amazonas. Em meio ao contraste das cores dos rios, trafegam catamarãs, canoas, lanchas, barcos de todo o tipo, ligando Santarém a cidades e comunidades remotas na floresta.

    Nesse paraíso amazônico o turista se depara com praias, lagos, igarapés,
árvores gigantescas, festas com raiz em lendas indígenas, um povo muito
acolhedor e uma comida com sabor original. E ainda pode relaxar em Alter do Chão, praia que o jornal britânico The Guardian apontou como a mais bela do Brasil.

 PRAIADEALTERDOCHA

ALDEIA INDÍGENA
Segunda maior cidade do Pará, Santarém fica a 807 quilômetros de distância, em linha reta, de Belém (1.369 quilômetros por via fluvial), no oeste do Estado. De barco se leva em média 36 horas desde Manaus e três dias da capital, Belém. De avião, cerca de 1 hora, em vôos diários. É possível ir por estrada, embora as condições do pavimento não sejam as ideais. Por isso muitos motoristas preferem ir de avião e mandar o carro para Santarém por balsa.

Uma das cidades mais antigas da Amazônia, Santarém tem apenas 260 mil
habitantes.  Surgiu como aldeia dos índios Tapajós, em 1661, depois
transformada em missão dos jesuítas. Ao ser elevada à condição de vila, em
1.758, os portugueses lhe deram o nome de Santarém em homenagem à cidade homônima de Portugal.

Outro traço marcante de Santarém é a influência das várias tribos que
povoavam a região na época da chegada dos colonizadores, especialmente no vocabulário, na culinária e em festas tradicionais como o Sairé, a mais
antiga manifestação da cultura popular da Amazônia.

Santarém é também o resultado de muitos rios que lhe dão vida. Eles são o
ponto de partida para se explorar a região e o cenário de lindíssimas praias
na orla, a poucos minutos do centro, ou no balneário de Alter do Chão, vila
distante 34 quilômetros.

Diariamente, de manhã cedo e no fim do dia, dezenas de barcos de linha
(geralmente, catamarãs) ali aportam para embarque e desembarque de
passageiros e carregamento de todo tipo de mercadoria, de sementes e
alimentos a eletrodomésticos e até motocicletas. É surpreendente a destreza
com que os estivadores transportam caixas pesadas, de grande volume, sobre as pinguelas que ligam o cais ao barco. Os passageiros se acomodam em redes, próprias ou alugadas na hora, para viagens que podem levar várias horas ou dias.
Somente no município de Santarém são seis bacias hidrográficas: Amazonas, Arapiuns, Tapajós, Moji, Mojuí e Curuá-Una. E cada uma é uma porta de entrada para deslumbrantes passeios na mata, rios, igarapés ou praias, como também para conhecer a vida das comunidades ribeirinhas.

FLORESTA E BOTOS
O verão amazônico é o período entre agosto e janeiro, quando as águas baixam e praias de areia branquíssima emergem por toda a extensão das margens dos grandes rios, em meio a uma vegetação exuberante.  Um passeio de barco pela orla de Santarém revela o Encontro das Águas e praias lindíssimas, como Carapanari, Aratâs e Ponta de Pedras – esta, com belas formações rochosas. A praia Ponta do Cururu é o local onde os botos rosa e tucuxi (cinza) costumam aparecer, especialmente no entardecer. Mas é preciso ter sorte, já que nem sempre eles são avistados. O panorama é esplêndido da Serra da Piroca. A caminhada pela mata até o topo leva uns 30 minutos, mas vale a pena o esforço. O melhor é ir no fim da tarde para ver o pôr-do-sol, aproveitando ainda a temperatura mais amena.

De janeiro a junho, o Tapajós, seus afluentes e igarapés estão cheios e as
praias ficam submersas, mas esse período é o ideal para contemplar a
exuberância da fauna e da flora. Nos lagos às margens do Rio Amazonas, a
leste da cidade, durante as cheias pode se observar a vitórias régias e uma
grande quantidade de pássaros.

A Floresta Nacional do Tapajós, localizada ao sul de Santarém, é passeio
para todo um dia. Pode-se ir de barco ou de carro por uma estrada em boas
condições, mas para entrar antes é preciso obter autorização do parque. No
caminho por terra, que dura umas 2 horas, uma curiosidade histórica: a
cidade de Belterra, construída pelo magnata americano Henry Ford no início do século passado para ser um dos núcleos de um fracassado projeto de plantação de seringueiras na região, da qual também fazia parte Fordlândia, situada mais ao sul, na Floresta. As ruas de Belterra são planejadas e as casas, de madeira, seguem o modelo rural dos Estados Unidos, com varandas, jardins, hidrantes.

Na floresta é possível hospedar-se na comunidade de Jamaraquá, de origem
indígena, e fazer passeios a pé ou de canoa pela mata, que reserva surpresas
como a Samaumeira, árvore que alcança 60 metros de altura. Guias locais
conduzem o visitante em uma caminhada de 4 horas pela floresta, durante a
qual se veem árvores centenárias e animais silvestres.

CULINÁRIA COM SABOR INDÍGENA É RICA EM PEIXES E FRUTOS
Dá para experimentar desde tucunaré preparado de vários modos a pratos
típicos como tacacá e maniçoba. Na sobremesa, doce de cupuaçu ou sorvete de murici.

Numa rápida caminhada desde o cais de Santarém chega-se ao mercado, na
Avenida Tapajós, passeio essencial para se começar a perceber as
peculiaridades do oeste do Pará. A peixaria impressiona pela diversidade e o tamanho dos pescados, incluindo o pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo (pode medir até 3 metros). Outras curiosidades para quem vem de outras regiões são as frutas da região e os ingredientes locais da comida paraense, como o tucupi (um caldo amarelo extraído da raiz da mandioca (no Pará, chamada de macaxeira), com o qual se prepara o tradicional pato no tucupi, uma das referências da culinária paraense.
 
A culinária, com forte influência indígena, é parte primordial do roteiro em
Santarém. Além do pato no tucupi, os pratos regionais mais conhecidos são a maniçoba, o tacacá e o vatapá. O tacacá é um caldo grosso de origem
indígena, servido muito quente em uma cuia. É preparado com tucupi, pimenta de cheiro, goma de mandioca, camarões e jambu,  hortaliça conhecida também como agrião-do-Pará. A maniçoba, chamada de feijoada paraense, é feita com folhas de mandioca moídas e cozidas, carnes de porco e bovina, entre outros ingredientes. 

  O vatapá paraense difere do baiano. Não leva, por exemplo, azeite de dendê e amendoim. Um petisco muito saboroso é o bolinho de piracuí (com batata e farinha de peixe seco socada no pilão). Há também uma grande variedade de receitas de peixes com ingredientes típicos da Amazônia — como  o açaí com peixe frito — e muitos sucos e sobremesas feitos com frutos do Norte. O doce de cupuaçu, sorvete de murici e suco de graviola são algumas das
especialidades deliciosas.    MUSEUDESANTARÉM

 

 

 

 

 No passeio pela cidade vale a pena visitar a Igreja da Nossa Senhora da
Conceição, na praça da Matriz (onde há várias lojas que vendem redes de todo o tipo), o Centro Cultural João Fona, o Museu de Arte Sacra e o Museu Dica Frazão, que expõe vestuário criado pela artesã Dica Frazão, feito de fibras naturais, palha de buriti, sementes, raízes e outras matérias-primas da Amazônia. A cidade tem ainda casarões antigos, no estilo colonial português.

 
CARIBE DA AMAZÔNIA TEM PRAIA, LAGO E FLORESTA
Alter do Chão também tem como atrativo a maior manifestação folclórica da Amazônia, a festa do Sairé.
O jornal  diário britânico The Guardian elegeu em abril de 2009 as 10 praias mais lindas do Brasil, o jornal não teve dúvidas: colocou no topo da lista a paraense Alter do Chão, balneário situado a apenas 34 quilômetros de Santarém, da qual é um distrito.

O balneário é um dos maiores pólos turísticos da Amazônia e, no entanto,
ainda é pouco visitado pelos brasileiros de outras regiões. O acesso é por
barco, de duas a três horas pelo Rio Tapajós, ou por uma rodovia em boas
condições, num trajeto de meia hora de carro desde Santarém. Para quem vem em embarcações turísticas de Manaus no sentido de Belém, ou vice-versa, a parada em Alter do Chão é um dos principais atrativos do passeio.

 
As praias ficam submersas no inverno amazônico, como é chamado o período das cheias, que vai de janeiro a junho. A partir de agosto começam a despontar nas águas azul-esverdeadas do Tapajós centenas de praias de areias branquíssimas. E surge em Alter do Chão uma península de areia clara como a neve, com árvores e os quiosques do verão. O forte contraste com o verde escuro da densa vegetação ao redor é um prazer a mais para quem se refresca nas águas cristalinas ou aproveita para descansar tomando água de coco ou sucos típicos paraenses numa das barraquinhas, saboreando tira-gostos regionais, como o bolinho de piracuí. 
 
Bem em frente à Alter do Chão, o represamento natural das águas do Tapajós forma o Lago Verde dos Muiraquitãs, de água quente, contornado por faixas de areia branca e fina. Ao longo do dia a cor da água oscila entre o verde e o azul. São essas tonalidades e a brancura da areia que fazem lembrar a paisagem do Caribe, com a vantagem de que em Alter do Chão a grandiosidade da floresta está ali do lado.

SAIRÉFESTA DO SAIRÉ
A festa do Sairé, a mais antiga manifestação da cultura popular da Amazônia é  realizada na segunda semana de setembro. São quase 300 anos de tradição. É uma celebração religiosa mesclada com lendas indígenas, fincadas no mito amazônico do boto encantado.

A festa era inicialmente um baile indígena, dançado em roda. Durante a
catequese os jesuítas incorporaram elementos do catolicismo e, com o tempo, foram sendo agregados outros aspectos da cultura popular, como o carimbó e as vestimentas.

O Sairé atual dura cinco dias, de quinta a segunda-feira, tendo como ponto
inicial uma procissão e o carregamento de dois mastros, um levado por homens e o outro, por mulheres. Nos cinco dias ocorrem as celebrações religiosas, com procissões e ladainhas, e os eventos profanos, com destaque para os shows musicais e apresentações folclóricas.

Por: MARIA TERESA DE SOUZA

Fotos: LUCIVALDO SENA/JEAN BARBOSA/ RONALDO FERREIRA

Fonte: Scritta Comunicação

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