" /> Maria Alcina mostra diferentes facetas da obra de Adoniran em show no SESI - Revista Cittá São Paulo

Maria Alcina mostra diferentes facetas da obra de Adoniran em show no SESI

15 / jul / 2010 | By rose | Categoria: Cultura, Em Destaque

negamalucaO espetáculo vai muito além de uma simples releitura das músicas de Adoniran; não se resume apenas a uma seleção de repertório e ainda conta com a performance incomparável da intérprete. O arranjador e diretor musical Sérgio Arara buscou inspiração nas próprias personagens e histórias contadas nas letras de Adoniram para conceber os arranjos e apresentar uma leitura única e original, fugindo da sonoridade já conhecida por todos.

 Alcina se esbaldou com o banquete que Arara lhe ofereceu: muito molho, pimenta e ritmo para abusar do vozeirão. Inclusive, quem aquece o público e prepara o clima para Alcina entrar em cena é a voz do próprio Adoniran em áudio retirado da gravação de Torresmo à Milanesa. A cantora mostra que está em plena forma: esbanja bom humor e incorpora várias personagens pra lá de hilárias.

 O programa surpreende até os mais apaixonados por Adoniran ao fazer ressurgir melodias e letras primorosas de sua produção romântica (Prova de Carinho, Iracema, Triste Margarida – Samba do Metrô e Não Quero Entrar) e ao dedicar um bloco inteirinho aos sambas e às marchinhas, músicas pouco lembradas pelo grande público (A Louca Chegou, Pafunça, Chora na Rampa Negão, Os Mimoso Colibris, Dona Boa, Tocar na Banda, Dondoca e Senta, Senta). Até uma moda de viola foi inserida neste cardápio: a inusitada Tô Com a Cara Torta que, de imediato, remete-nos ao estilo caipira de Inezita Barroso (por ironia do destino, ela não chegou a gravá-la).

E é evidente que as canções consagradas do mestre, entoadas sempre em coro, também compõem este espetáculo (Torresmo à Milanesa, Samba do Arnesto, Conselho de Mulher, As Mariposa, Um Samba no Bixiga, Tiro ao Álvaro, Saudosa Maloca e Trem das Onze), além daquelas “assinadas” por Peteleco, seu vira-lata “letrado” (Plac-Ti-Plac, No Morro do Piolho e Mãe, Eu Juro).

 Entre os exemplos mais inusitados do show Maria Alcina – 100 Anos de Adoniran Barbosa, destaque para o arranjo de Um Samba no Bixiga que corteja descaradamente com a tarantela, ritmo que embala o bairro de italianos. E o samba No Morro do Piolho ficou com a cara – e ritmo – do que se faz hoje no “morro”: o rap. Já para mostrar o universo da mulher cantada em Mãe, Eu Juro (que deve freqüentar os bailes da periferia no sábado à noite) o arranjo ganhou a cadência do bolero e flerta, dramaticamente, com o tecnobrega. Tudo isto sem cair no caricato, pois ninguém foi tão autêntico em sua arte como Adoniran que, certamente, de onde quer que esteja se diverte e aplaude esta também autêntica homenagem.

 Show: Maria Alcina - 100 Anos de Adoniran Barbosa

Formação: Maria Alcina (voz), Sérgio Arara (violão, viola, efeitos sonoros, arranjos e direção musical) e Gustavo Souza (bateria, percussão e efeitos sonoros).

Dia 21 de julho – quarta-feira – às 20 horas

Teatro Popular do SESI – Paulista

Av. Paulista, 1313 – Tel: (11) 3146-7405

FONTE: Assessoria de imprensa – Eliane Verbena

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